Alunos de escolas estaduais do Vale do Mucuri sofrem com infraestrutura precária

Escola Estadual José de Alencar, em Machacalis, teve que improvisar papelões para vedar as janelas

O frio havia muitos anos não surpreendia os moradores de Machacalis, no Vale do Mucuri, e mudou a rotina dos alunos da Escola Estadual José de Alencar. Além dos agasalhos, eles levam cobertores para a sala de aula. É que as vidraças estão todas quebradas, e o vento gelado é como um açoite, principalmente para as crianças do turno da manhã e os alunos da noite, do projeto Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Foto: Pedro Pedreira/Reprodução

“A gente sente muito frio. Quando chove, molha tudo. Os alunos têm que arrastar carteiras e sentam todos amontoados em um canto da sala para não molharem. Um horror!”, reclama a cuidadora de idosos Rosimara Rodrigues Chaves, do EJA. Os alunos também se protegem do frio e da chuva colocando pedaços de papelão nas janelas. Outros problemas põem em risco a segurança de todos. O telhado está infestado de cupins e ameaça desabar.

Estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com o Sindicato Único dos Trabalhadores de Minas Gerais (Sind-UTE-MG) revela que a maioria das escolas estaduais de ensino médio em Minas Gerais tem problemas de infraestrutura.

Estudo

Segundo uma pesquisa que será publicada neste mês, nos últimos cinco anos, pouca coisa mudou nas 3.660 escolas estaduais de ensino médio de responsabilidade do Estado. Em 2012, segundo o Censo Escolar, 63% das instituições tinham laboratório de ciência. A nova pesquisa revela aumento desse índice para 64%.

A presidente do Sind-UTE-MG, Beatriz Cerqueira, se diz assustada com as condições de oferta de alimentação escolar. Segundo ela, 52% das unidades não oferecem todas as condições para servir a comida, como cozinha, refeitório e despensa, por exemplo. “São dados graves”, reforça Beatriz.

A escola José de Alencar, que não conta com refeitório, tem verba empenhada de R$ 300 mil do governo estadual para reformas. O termo de compromisso foi assinado há um ano, e o dinheiro não foi liberado. “A jurisdição da Secretaria Regional de Educação de Teófilo Otoni alega haver outras escolas em situação pior”, ressalta o diretor da instituição, Wilton Gil.

“A situação só piorou nos últimos dois anos. Antes, a gente assinava um termo de compromisso, e, com 30 dias, o dinheiro já caía na conta da escola, e a gente dava a ordem de serviço”, reforça. A última obra, conta, foi a ampliação da quadra, em 2007. A escola tem 807 alunos, com idades entre 11 e 60 anos, dos ensinos fundamental e médio e do EJA.

Escola da Liberdade

Após quatro anos funcionando em um motel desativado em Lajinha, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, a Escola Estadual de Liberdade concluiu a última fase da mudança para um prédio novo. No antigo, as salas de aula tinham janelas rotatórias, antes utilizadas para preservar a intimidade dos casais na hora de servir bebidas e refeições do serviço de quarto. Anteriormente, a escola funcionava no salão de catequese de uma igreja.

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